sábado, 21 de junho de 2008

OESTUDIO traz tecnologia para a passarela



Fotos: Marcio Kato/ Fernanda Calfat
Eles fizeram uma trilha com o Nintendo Wi! Confira mais fotos do desfile e do backstage no nosso FLICKR

[Carol Ramos]

GUERREANDO COM A MODA MASCULINA

Em tempos que o Exército prende soldados homossexuais e precisa a todo custo provar sua virilidade, nada como o vento dessa bandeira que Alexandre Herchcovitch levanta em sua coleção masculina para o verão 2009.
Ao entrar seu primeiro look, um simulado de camuflagem, torci o nariz e pensei: “Ai não, um militarismo equivocado assim como seu caubói pós novela de dois anos atrás sobre esse universo que nem vintage dá pra chamar”.

Mas as bombas de seu universo me atingiram em cheio. Ao olhar para a roupa de povos em conflitos e muito mais, roupas que trazem um certo orientalismo, ele dá um tiro certeiro na moda masculina, que logicamente é filha do ocidente macho branco e por isso está munida de todos os preconceitos e todos os entraves para realmente colocar os homens na roda da moda.





O fato de aparecer os saiotes pregueados, uma faixa acinturada, estampas muito coloridas e vivas (referências orientais) trazem à tona o que muitos perguntaram ao estilista sobre seu homem estar mais feminino. Focado em sua inspiração, os povos em conflitos, Alexandre negou essa possibilidade como palestinos e israelenses negam agredir-se mutuamente e acabou não percebendo que a moda masculina é sua verdadeira zona de conflito, e em certo sentido seu batalhão está na avant-garde desse problema crucial aos homens: ter uma identidade.
A discussão de gênero é antiga no pensamento de moda de Herchcovitch, mas estava adormecida faz algumas temporadas. E fazê-la ressurgir de maneira tão ideologizada e em um momento tão cruccial como o que vivemos hoje, faz com que declaremos guerra contra a caretice da moda masculina e seu pensamento obtuso.

[Vitor Ângelo, do dus*****infernus - leia mais aqui]

Maratona



O São Paulo Fashion Week é uma maratona que dura o dia todo, durante uma semana. Fashionista que é esperto, nem pensa duas vezes, vem de tênis pra não morrer de dor nos pés ao final do dia! Veja mais fotos no nosso FLICKR

[Fergs Heinzelmann, do Fergoland – leia mais aqui ]

FIAT-shirts para todos os gostos




Constanza Pascolato e Carol Ribeiro com as FIAT-shirts e a entrada do lounge FIAT Glamurama
Fotos: Marcio Kato/ Fernanda Calfat

Desde que começaram a serem vendidas na Banca de Camisetas e entregues a pessoas especiais que visitam o lounge FIAT Glamurama e o FIAT Café por Piselli, as FIAT-shirts viraram sensação entre os fashionistas. Quem criou as estampas foram 6 artistas diferentes, cada com a encumbência de fazer dois modelos. As marcas que fazem parte do projeto são o coletivo venezuelano Masa, o coletivo argentino DGPH, Bruno 9Li, Ellus, Ellus 2nd Floor e o estúdio francês Surface to Air Paris.

[Carol Ramos]

Parceria entre SPFW e FIAT completa 3 anos


Malu e Paulo Borges
Foto: Marcio Kato/ Fernanda Calfat

Com a noção de que a entrada da FIAT na moda deveria ser feita da maneira menos óbvia possível, a parceria entre o SPFW e a FIAT completa seu terceiro ano e o saldo é positivo para Paulo Borges, idealizador do evento: "Nossa parceria é um caminho de construção a longo prazo", comenta Paulo, "mas nossa convergência de interesses vai do design a tecnologia, da moda ao comportamento". O principal foco do projeto é desviar a atenção das pessoas do automóvel, produto da FIAT, para abrir uma trajetória de percepção em outras áreas da cultura.

[Carol Ramos]

O melhor desfile de ontem pelos editores de moda

Confira qual foi o desfile de sexta-feira que alguns dos principais editores de moda mais gostaram:


Alcino Leite, da Folha de São Paulo, achou a coleção de Alexandre Herchcovitch: "Foi desfile muito inteligente, pelo contraponto entre a dimensão guerreira masculina e o desabrochar do feminino", a exemplo dos babados que "começavam lá", onde tudo começa, e partiam para os ombros, "Como as armaduras dos guerreiros", completa Alcino.


Vivian Witheman, também da Folha, gostou do desfile de Reinaldo Lourenço, pois o estilista trabalhou com materiais difíceis e ainda assim obteve um resultado leve: "Ele explorou bem o tema das bonecas de porcelana, sem cair num resultado infantil"


Erika Palomino, da revista Key, também se encantou com Reinaldo Lourenço e acha que esse foi o melhor trabalho que ele já fez na sua carreira, com uma coleção sofisticada e bem construída, sendo ainda bastante fashion e fluido. "Adorei as escolha dos branco e dourado"


Constanza Pascolato também aprovou o trabalho de Reinaldo: "O desfile foi extraordinário, um bom exemplo de moda luxo"

[Fergs Heinzelmann, do Fergoland – leia mais aqui ]

Japonismo


Hoje eu tive tempo de percorrer, com bastante calma, a exposição Olhar Contemporâneo, que é uma das grandes atrações deste SPFW. Todos os grandes mestres japoneses, que tiveram forte influência na moda do ocidente, estão lá: do precursor Kenzo (que está prestigiando o evento), passando por Rei Kawakubo e Junya Watanabe, da Comme des Garçons; Issey Miyake e Yohji Yamamoto; até o “novato” JunTakahashi, da Undercover.

Fiquei emocionada de ver, tão de perto, roupas tão especiais que eu só conhecia por fotos em revistas e sites. Para mim, a sensação foi de estar na presença da própria história.

Parecia que aquelas peças –testemunhas de uma revolução feita de tecido, costura e imaginação– apesar de estarem temporariamente congeladas nos manequins, pudessem ganhar vida novamente, em algum corpo, em algum lugar. É que as idéias contidas ali estão vivas, elas alargaram as fronteiras da moda, renovaram conceitos, trilharam caminhos inéditos. Elas comunicam o novo.

Por isso mesmo, quando me refiro a um destes estilistas, não me furto a denominá-los de criadores.







De cima para baixo: looks de Yohji Yamamoto, Kenzo, Junya Watanabe e Issey Miyake.

Veja mais fotos no meu FLICKR

[Biti Averbach, do Moda Sem Frescura – leia mais aqui ]

MARIA BONITA: TE REENCONTRAREI-ME

Na trilha,a poesia de Dorival Caymmi. Na passarela, a prosa de Maria Bonita.
O compositor baiano tem em seus pontos altos, a economia de signos, um certo minimalismo poético: “não fazes favor nenhum/ em gostar de alguém/ nem eu/ nem eu/ nem eu” é um exemplo clássico. O diálogo de Maria Cândida com o japonismo e depois de Dani Jensen com o minimalismo fazem da prosa da marca também em suas roupas ter uma certa economia de signos.

Mas nada é literal, pois poesia invade a prosa da marca assim como o mar em ressaca arrebenta no calçadão da praia.

A peça central, o macacão (um dos itens do DNA da marca), simboliza arquetipicamente o trabalho, no caso os laboriosos pescadores.


De suas cordas, de sua linha de pescar constrói-se as roupas, essa jangada que nos fará navegar pelo imaginário da estilista.
Seu mar é denso! Mas suas peças são leves!


Dani Jensen continua a olhar o outro, no caso um universo distante do seu, sua alteridade: os pescadores e mimetiza a alma brasileira, essa que na impossibilidade da cópia acaba criando um vasto mundo novo. Te reencontrei-me!

[Vitor Ângelo, do dus*****infernus - leia mais aqui]

Paisagem Real


Ontem, no lounge Fiat Glamurama, a designer de acessórios Francesca Romana Diana lançou uma linha de pulseiras, em homenagem aos 200 anos da chegada da Família Real ao Brasil. Feitas de latão e banhadas a ouro, as peças têm lindos desenhos feitos pela pintora (e princesa) Leli de Orleans e Bragança.

No vídeo, Francesca explica mais.



[Biti Averbach, do Moda Sem Frescura – leia mais aqui ]

PREVIEW: RONALDO FRAGA


Ronaldo Fraga e a busca de um Brasil esquecido, ou melhor, de um modo de olhar o mundo que finge-se submerso para sobreviver. E são nesses momentos que o estilista é responsável por emergir algo profundo que sempre nos traz algo lúdico adormecido no nosso inconsciente possivelmente nacional mas mais do que um sentimento em grupo é sempre um sentimento individual que pode ser compartilhado. Essa é a magia de suas roupas.
Para o verão 2009 a inspiração é “o universo mágico e real do rio São Francisco”. As cores são (eu amo como os estilistas imaginam sua cartela): laranjas desenvergonhados da beira do cais, brancos sujos, azuis, verde-água, base amarela do sedimentado caído dos verões, marrons das cheias de cabeceiras.

As formas são de pacotes ardentemente esperados para serem entregues pelo vapor Benjamin Guimarães
Vale a pena prestar atenção nos bordados desenvolvidos pela família Matizes Dumont de Pirapora!
De qualquer forma, Fraga fará novamente um dos desfiles mais esperados da temporada.

[Vitor Ângelo, do dus*****infernus - leia mais aqui]