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quinta-feira, 19 de junho de 2008

Inovação ou piração?

O que é novo, inusitado, inédito, sempre causa estranheza, encantamento ou rejeição. Tem sido assim desde sempre, graças à mistura de medo e curiosidade que as invenções despertam.

Selecionei algumas “loucurinhas” avistadas no SPFW até agora. Mas como a lista deve crescer nos próximos dias, vou continuar atualizando a série.


Corpete de plástico holográfico, da Osklen. O efeito é lindo, mas não deve ser lá muito prático.


Homem de saia nem é algo tão inédito assim. Os gregos vestiam túnicas, os escoceses usam o kilt até hoje. Será que agora, finalmente, a moda pega? Bem que poderia, já que o look é confortável e arejado, bem adequado ao nosso clima tropical.


O paletó com short (aqui, em versão da V.Rom) é outro look polêmico que se vê muito na passarela e mas não na vida real. Será que um dia os executivos vão botar as pernocas de fora?


Do Estilista: burka fashion ou uma daquelas capinhas de liquidificador? Essa roupa é só para o desfile mesmo. Ou alguém se habilita?

[Biti Averbach, do Moda Sem Frescura – leia mais aqui]

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Pílulas

*Teremos um verão, acho que se pode dizer… repolhudo!


Da esq. para a direita: mintdesigns e Ellus 2nd Floor.




O vestido pink é Do Estilista, o estampado é Fábia Bercsek.

A Osklen apostou na abundância, Tufi Duek foi mais comedido.

[fotos: Charles Naseh/Chic e SPFW/Fotosite]

[Biti Averbach, do Moda Sem Frescura – leia mais aqui]

A MODA ESTÁ NUA: O MARAVILHOSO FIGURINO FAKE DE MARCELO SOMMER


Nada é banal em Marcelo Sommer e sua grife Do Estilista, não fantasiem errado. Mesmo quando declara fazer um desfile com seus desejos de imagem e não de produto ele está indo fundo no conceito de moda e na função dos desfiles. Ele, dentro de um sistema econômico que a cada dia privilegia muito mais os resultados e lucros (empobrecendo a imaginação na moda), lucra muito mais procurando os resultantes, os resultantes que fazem com que quando Marcelo cria uma peça, não temos dúvidas que só a ele pertence e só por ele poderia ter sido construído.

Fantasia e figurino. O quanto a moda vive com medo desses extremos, como os antigos navegadores tinham medo que o mar acabasse. Quebrar, romper com o medo da teatralidade, do fantasiar-se, do figurino faz parte de uma atitude avançada em moda, ainda mais nos tempos de hoje.

O linguista inglês J.R.R. Tolkien afirmava que “fantasiar é ser bem sucedido em fazer ou vislumbrar outros mundos. Não mundos possíveis, mas mundos desejáveis.
Já na definição rápida do Wikipedia diz que “figurino é o traje usado por um personagem de uma produção artística (cinema, teatro ou vídeo)”.


Bailando sobre esses dois conceitos, a marca faz surgir toda a força de seu imaginário. Não é figurino de enfermeira, nem fantasia de enfermeira, é exatamente a sua versão fake, a versão moda que trafega sobre esses mundos desejáveis. Não à toa muitos fashionistas ficaram fascinados pelo look que eu chamo de burka mulçumana.


Para provar o que eu escrevi e a radicalidade desse trabalho Do Estilista, por desorganização pessoal minha, assisti o desfile da janela de fora do museu com muitos fotógrafos e fashionistas. Foi uma experiência divertida e inusitada, porque eles identificavam os looks com pessoas de moda, do imaginário daquelas pessoas. Muitas gritavam:”Olha a Graça Borges! Olha o filho da Erika!” e não olha a noiva, a bruxa, o palhaço, a mulçumana.
Marcelo Sommer fez todos fantasiarem por poucos minutos um mundo muito melhor e mais divertido!

[Vitor Ângelo, do dus*****infernus - leia mais aqui]